Instituto

Sobre o Ponte

Um think tank de pesquisa e atuação institucional que trata o acesso à justiça como infraestrutura, com capacidade instalada que se pode medir, comparar e melhorar.

Apresentação

O Brasil tem um dos Judiciários mais movimentados do mundo e, ao mesmo tempo, uma massa enorme de direitos que nunca chega a ser reivindicada. Os dois fatos convivem porque o acesso à justiça acompanha a capacidade de suportar o custo de exercer o direito, medido em tempo, informação e capital, e não a existência do direito em si. Por isso a litigiosidade contida se explica menos pela falta de normas ou de tribunais do que pela falta de infraestrutura.

Chamamos de infraestrutura do acesso à justiça o conjunto de tecnologias, arranjos econômicos e regras que determina quais direitos compensam ser exercidos e quais permanecem no papel. Ela tem camadas, depende de padrões comuns e de manutenção contínua, e sua capacidade instalada atende bem alguns trechos e deixa outros sem cobertura. Como em qualquer rede, o problema costuma estar na última milha, nos trechos em que o valor individual do direito não cobre o custo de acioná-lo e que, por isso, nenhum agente serve espontaneamente. É ali que se concentram os direitos que se perdem antes de chegar ao Judiciário, e a doutrina processual tradicional tem pouco a dizer sobre eles, porque o obstáculo está antes do processo, na falta de capacidade para levá-lo adiante.

Há um compromisso de fundo nesse desenho. O processo existe para satisfazer o direito material e superar a crise que o envolve, seja de adimplemento, de certeza ou de situação jurídica. A prática brasileira inverteu essa ordem. Discute-se o rito, o recurso, a competência e a tese firmada em precedente, enquanto o direito material fica em segundo plano e o jurisdicionado, único titular do bem da vida em disputa, se torna coadjuvante do próprio caso. O Ponte parte da posição oposta e avalia cada tecnologia, cada arranjo econômico e cada regra do campo pelo quanto aproximam o titular da satisfação efetiva daquilo que lhe é devido.

Esse campo já existe na prática, movimentado por legaltechs, antecipadoras de recebíveis processuais, escritórios de contencioso de massa, tribunais e reguladores, mas ainda não tem representação institucional própria. Falta um lugar em que ele seja pesquisado com método, medido com dados, defendido tecnicamente perante quem o regula e submetido a padrões de conduta que protejam o titular do direito. É esse o papel do Ponte. O instituto não opera tecnologia, não financia litígios e não advoga. Pesquisa, produz dados, atua institucionalmente em juízo e perante órgãos reguladores e propõe autorregulação setorial. É uma associação civil sem fins econômicos, independente de qualquer operador, e seu estatuto veda expressamente a defesa do interesse econômico individual de qualquer associado.

Os três eixos

Acesso à Justiça · Inovação · Fomento.

A arquitetura conceitual do Ponte se organiza em três termos, que juntos desenham a agenda do instituto.

I

Acesso à justiça: a finalidade

A finalidade do acesso à justiça é a satisfação do direito material e a superação da crise que o envolve, com a entrega do bem da vida a quem tem título para recebê-lo. O processo é instrumento dessa finalidade e só se justifica na medida em que a serve. Quando o rito e a técnica passam a ocupar o centro, o sistema começa a funcionar para si mesmo e deixa de funcionar para o jurisdicionado. Por isso toda a atuação do Ponte se mede por uma pergunta: o titular ficou mais perto de receber o que lhe é devido, com menos tempo, menos custo e menos assimetria de informação?

II

Inovação: a camada tecnológica

Ferramentas digitais, inteligência artificial, plataformas e novos arranjos de produto reduzem o custo de identificar, instruir e conduzir uma demanda, e essa redução é o que torna economicamente viável atender os trechos hoje desatendidos. A mesma camada traz riscos próprios, como a captação irregular, a opacidade e a assimetria contra o titular. O Ponte estuda essa camada e trabalha para que ela ganhe as regras que ainda lhe faltam.

III

Fomento: a camada econômica

Antecipação de recebíveis processuais, financiamento de litígio e outros mecanismos transferem o custo e o risco do processo do titular do direito para quem tem capacidade de suportá-los. É a camada mais decisiva do campo e também a menos regulada. O Ponte não aloca capital. Pesquisa quem aloca, em que condições e a que preço, e propõe os padrões de transparência que hoje faltam nessa relação.

Como nascemos

O Ponte surge da convergência de pesquisadores, advogados e gestores que, em frentes distintas, identificaram a ausência de um interlocutor técnico independente sobre a infraestrutura do acesso à justiça.

Constituído como associação civil sem fins econômicos, o Ponte adota governança colegiada para preservar a autonomia de sua agenda.

Governança

Três órgãos, uma cadeia de responsabilidade.

Conselho Deliberativo

Define a estratégia institucional, aprova o plano de trabalho anual e zela pela independência do instituto.

Em formação

Conselho Consultivo

Reúne pesquisadores, magistrados e profissionais de mercado para qualificar a agenda de pesquisa e atuação.

Em formação

Diretoria Executiva

Conduz as operações, coordena as frentes de trabalho e responde pela representação institucional cotidiana.

Em formação

Princípios

O que nos obriga.

Independência institucional

Sem vinculação partidária ou subordinação a interesse setorial isolado.

Rigor técnico

Toda manifestação pública é precedida de pesquisa e revisão interna.

Pluralidade

Convivência de visões distintas dentro de uma agenda comum.

Transparência

Fontes de financiamento, métodos e dados expostos ao escrutínio.

Autorregulação

Os mesmos padrões que defendemos para o setor se aplicam ao instituto.